Rio Ave

Sporting 0-1 Rio Ave


Vi ao vivo (e a cores) o Sporting a perder em casa com o Rio Ave por 0-1. O Sporting voltou a entrar em campo em versão “dois trincos” (Gelson e Elias), molengão e a rematar pouco: cinco remates dignos do nome (14, 24, 25, 30 e 42 minutos) em 45 minutos de jogo, contra três do Rio Ave (33, 38 e 40 minutos quando fez o golo). Manifestamente poucos remates e ainda pior concretização.

Na segunda parte quase tudo mudou. Saiu ao intervalo o Adrien (tal como em guimarães esteve “certinho” mas “lento”) e Elias (que esteve bem, e eu estranhei que tivesse saido ele e permanecido o Gelson em campo), entraram o André Martins e Labyad. O Sporting ganhou agressividade e velocidade, mas com o passar dos minutos foi perdendo clarividência, e as coisas teimavam a sair mal. Aos 72 minutos saiu o Gelson para entrar o Viola (estreia). O jogo terminou depois de cinco agonizantes minutos de compensação. Foi uma segunda parte cheia de coração, vontade, desespero e pouca capacidade de jogar à bola.

O Sporting perdeu bem... o Rio Ave fez o seu jogo e, à parte das fitas e perdas de tempo, foi um justo vencedor. Teria sido uma história provavelmente muito diferente se a equipa da segunda parte tivesse jogado mais tempo, com menos coração e com mais cabeça... Os primeiros 45 minutos são um hino à arte de oferecer um jogo a uma equipa pequena: lentos, desinspirados e pouco eficazes.


Quanto aos jogadores...



Gostei muito de toda a defesa. O Boulahrouz é excepcional e o grande patrão. O Rojo é já um craque e tem do seu lado uma enorme margem de progressão. O Cedric e Insua são rápidos e agressivos (mas defendem pior do que atacam). O Patrício é aquilo que se sabe.

O meio campo está um granel de todo o tamanho. O Gelson é incansável mas é um destruidor de jogo puro. Igualmente incansável, mas também capaz de construir jogo, o Elias faz umas viagens às laterais e à entrada da área. Uma equipa como o Sporting não pode jogar com os dois ao mesmo tempo. Isto é, na minha opinião, um erro do Sá Pinto.

O Adrien sozinho à frente de dois trincos não tem a velocidade para criar jogo. Mais que criticar o Adrien eu diria que ele precisa ou que o Elias esteja mais avançado ou de alguém ainda mais ofensivo por perto (Schaars, André Martins, Viola, ou adaptações tipo Labyad/Jeffren que são extremos!). O Sporting precisa de dois médios ofensivos e não de dois trincos! A segunda parte mostrou a diferença óbvia entre os resultados potenciais dos dois sistemas.

O ataque, forçosamente longe de um meio campo excessivamente defensivo, torna-se previsível e simples de anular. Capel e Carrillo nas alas tentam as respectivas receitas (Capel a velocidade e Carrillo os dribles) e o Wolfswinkel parece uma barata tonta na área, sempre com os centrais em cima, sempre a lutar em desvantagem numérica. Se só há movimentos pelas alas, se o meio do campo não faz pressão ofensiva, é estupidamente difícil escapar a uma previsibilidade de movimentos que as defesas naturalmente aproveitam.


Quanto ao treinador...



A minha vontade é dizer em tom de brincadeira “volta Peseiro/Bento/Domingos que estás perdoado”. Mas não digo. Porque a probabilidade de algum deles voltar é nula, porque não acredito em mudanças de treinadores a meio de épocas, porque acredito que começar mal um campeonato acontece aos melhores (o Mourinho tem também um ponto com o Real Madrid em duas jornada e está a 5 pontos do Barcelona!).

Estou céptico e expectante. Acho que o Sporting tem o melhor conjunto de jogadores de sempre, mas o maestro ainda não mostrou capacidade de afinar a orquestra. Falta o futebol lindo, estonteante e dominante do Peseiro. Falta o rigor a agressividade secas do Paulo Bento. Falta o futebol bonito e rápido dos melhores tempos do Domingos. Ainda estou para ver o que é a versão Sá Pinto do Sporting, até agora temos um manifesto “queremos” e “corremos”, mas o conjunto parece-me desafinado e sem fio de jogo.

Gostava de ver o Sporting a fazer pressão desde os primeiros segundos de jogo, a jogar com dois médios ofensivos, a acabar com a palermice descabida dos dois trincos. Nesta escolha particular a culpa é toda do treinador.

Horsens (para a liga Europa) é já na quinta feira, 72 horas depois deste desaire caseiro, e é bom que se comece a ver alguma coisa... até agora há palavras e promessas sem correspondência em campo.

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