Traição

Quando se é traído...

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Nunca me tinha acontecido. Uma pessoa de quem gosto, de família, em quem depositava toda a confiança do mundo, resolveu apunhalar-me pelas costas, vender por 500 euros os contactos e o CV de (uma?) pessoa(s?) que trabalha(m) comigo (na minha empresa).

Provavelmente achou que estava a fazer "um jeito" a essa pessoa, provavelmente os 500 euros não foram a motivação, provavelmente não avaliou as consequências do que estava a fazer… a motivação não é relevante de todo: É óbvio para qualquer pessoa, mesmo as que não me conhecem, nem a mim nem à empresa, que isso me prejudica directamente, que pode ter consequências, e que substituir pessoas com anos de trabalho e familiaridade com as tecnologias da minha empresa é sempre um processo particularmente complexo e caro. Mais ainda quando é uma pessoa que lida directamente com o maior cliente da empresa. Trata-se de passar informação, que é sensível, a uma empresa concorrente no mesmo mercado, de uma pessoa que ele sabe que desempenha missões criticas.

A dor que sinto é tremenda. Passará com o tempo. Terei de conviver com esta traição. Valores mais altos existem na minha cabeça. Este disparate de proporções épicas não pode interferir com esses valores. O castigo único é que não me esquecerei nunca e não guardarei segredo. E vou ver a pessoa e lembrar-me que um dia traiu a minha confiança. Espero que entre melhores recordações passadas (que há muitas) e futuras (que ajudem a que esta tenha menos impacto no meu espírito).

Não me vou esquecer de todos os motivos porque gosto da pessoa em causa, nem deixar que um acto profundamente irreflectido e incorrecto marque o resto de uma relação que prezo e tenciono manter. As pessoas fazem disparates, às vezes grandes, e temos de os ultrapassar. Não é para esquecer. São coisas diferentes.

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