Ao contrário do que o Steve Jobs anunciou como pretexto para lançar o Safari para Windows (i.e. ganhar quota de mercado) a realidade é mais simples e prosaica: o "Safari" é literalmente o "SDK do iPhone". A estratégia é que todas as aplicações "third party" do iPhone sejam aplicações baseadas em tecnologia Web (i.e. HTML, CSS e AJAX) e corram no "Safari" (em ambiente protegido e isolado) que está no iPhone. Como há muitos potenciais interessados no iPhone em Windows... lá teve que ser: versão para Windows do "Safari". O resto são efeitos secundários que podem eventualmente aparecer.
Pessoalmente não acredito que os utilizadores de Windows descubram que existem outros "browsers", ou pelo menos não mais do que os que já descobriram o "Firefox", o que dá uns 15/20% dos utilizadores. Da mesma foram que não descobrem que o "outlook" está ao mesmo nível que o "IE", ou seja ambos são muito mauzinhos, ambos funcionam numa "bolha de distorção dos standards que é suposto suportarem", etc. Francamente os clientes da Microsoft recebem exactamente o que escolhem, mau software, vírus e afins. É uma escolha que se faz. Bom para eles. Eu vivo num mundo 100% "microsoft free", não lhes compro nada e não utilizo nada do que eles produzem. Ah! E está-se bem neste mundo... :-)
Quanto ao iPhone.... Se os "web archives" do "Safari" funcionarem no iPhone a estratégia é excelente. Ou por outras palavras: se o conteúdo de uma página poder ser gravado para utilização sem ligação de dados a estratégia é excelente, caso contrário limita as opções a aplicações que só podem correr com ligação de dados à Internet e a excelência "vai à vida".
A ideia é que estas aplicações gozam de integração com as aplicações nativas, podendo por isso fazer chamadas, mandar e-mail, mostrar mapas, etc. Resta saber "a que nível chega essa integração", e eu desconfio que "não muito longe" e se fica pela interpretação de URL´s (i.e. "mailto:" abre o mail, "http:" uma página, etc) a assim ser o potencial é reduzido, e uma série de aplicações como "gestores de chamadas", "voice mail" ficam "fora do baralho".
O que a Apple propõem tem potencial; "jogos", acesso a sistemas empresariais, etc, são aparentemente estupidamente fáceis de suportar. Mas algo me diz que a estratégia tem tanto de "coxa" como de "elegante". Por um lado é simples desenvolver para o iPhone, por outro lado é limitado o que se pode fazer para ele.
Eu não sou de forma nenhuma apologista de que um telefone como o iPhone "deve ser tudo para todos". Entendo que a Apple queira salvaguardar que "nada do que se instale no telefone vai "quebrar" as funcionalidades básicas ou mudar o "feeling" do produto, no entanto, acho que esta estratégia é demasiado limitativa. Resultou no iPod, mas num "smart phone" a vontade de correr aplicações mais diversificadas é substancialmente maior.
As coisas são o que são, e a Apple pretende que o iPhone seja "assim". Resta saber o que o mercado vai fazer... eu quero um, se faz favor... de preferência com 3g e um cartão de memória (ambos não disponíveis na versão americana que vai ser lançada em 29 de Junho)...
