Ensinar alguém a jogar...


Há dois dias atrás estive a ensinar um sobrinho meu a jogar poker. Passei $1 USD para a conta dele, fizemos a sessão de teoria (detalhes já a seguir) e passámos à prática (jogando um torneio de “sit & go” de 45 jogadores)...

A teoria focou os seguintes tópicos:

- identificação dos jogadores (loose/tight e agressive/passive)
- tomar notas no pokerstars
- perceber as probabilidades de saírem as cartas
- perceber o que são mãos iniciais fortes
- perceber o efeito das apostas (agressividade) nos adversários e quais devem ser os respectivos (níveis e) valores
- perceber que o perfil de um jogador de poker tem que variar em função dos adversários

A sessão “prática” consistiu no torneio. No inicio do torneio o ambiente proporcionou um jogo descontraído (loose) em que o aprendiz de feiticeiro rapidamente juntou as fichais mais que necessárias para chegar à bolha dos prémios. Depois teve que passar a jogar “tight” para ultrapassar a bolha (mudaram os adversários, com muitos deles a explorar o período pré-prémios do torneio), chegou aos prémios e... duplicou o seu bankroll!

No dia seguinte, já a jogar sozinho, triplicou o bankroll. Transformou em $3 USD o que lhe tinha dado ($1). Muito giro de ver. É claro que ele vai descobrir que há dias maus, vai descobrir que gerir a frustração e proteger o bankroll pode ser mais complicado do que parece, e é muito mais provável que se junte aos 95% dos jogadores que perdem dinheiro no poker online que aos 5% que o ganham. Mas há sempre surpresas...

A teoria só por si não ganha os jogos, em particular contra jogadores fortes e experientes, mas ajuda muito... e a maior parte dos jogadores dos torneios baratos são acessíveis porque nem a teoria percebe. O Poker é fascinante por não ser só “sobre as cartas”, ter uma componente humana crucial de entender e os resultados serem depois devidamente “temperados pela sorte”.