Ensinar alguém a jogar...


Há dois dias atrás estive a ensinar um sobrinho meu a jogar poker. Passei $1 USD para a conta dele, fizemos a sessão de teoria (detalhes já a seguir) e passámos à prática (jogando um torneio de “sit & go” de 45 jogadores)...

A teoria focou os seguintes tópicos:

- identificação dos jogadores (loose/tight e agressive/passive)
- tomar notas no pokerstars
- perceber as probabilidades de saírem as cartas
- perceber o que são mãos iniciais fortes
- perceber o efeito das apostas (agressividade) nos adversários e quais devem ser os respectivos (níveis e) valores
- perceber que o perfil de um jogador de poker tem que variar em função dos adversários

A sessão “prática” consistiu no torneio. No inicio do torneio o ambiente proporcionou um jogo descontraído (loose) em que o aprendiz de feiticeiro rapidamente juntou as fichais mais que necessárias para chegar à bolha dos prémios. Depois teve que passar a jogar “tight” para ultrapassar a bolha (mudaram os adversários, com muitos deles a explorar o período pré-prémios do torneio), chegou aos prémios e... duplicou o seu bankroll!

No dia seguinte, já a jogar sozinho, triplicou o bankroll. Transformou em $3 USD o que lhe tinha dado ($1). Muito giro de ver. É claro que ele vai descobrir que há dias maus, vai descobrir que gerir a frustração e proteger o bankroll pode ser mais complicado do que parece, e é muito mais provável que se junte aos 95% dos jogadores que perdem dinheiro no poker online que aos 5% que o ganham. Mas há sempre surpresas...

A teoria só por si não ganha os jogos, em particular contra jogadores fortes e experientes, mas ajuda muito... e a maior parte dos jogadores dos torneios baratos são acessíveis porque nem a teoria percebe. O Poker é fascinante por não ser só “sobre as cartas”, ter uma componente humana crucial de entender e os resultados serem depois devidamente “temperados pela sorte”.

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"Bankrolling" é muito importante... vital, eu diria, para todos os jogadores.


Regras de base:

- Todos os jogadores de poker devem ter uma “conta corrente” do dinheiro relativo aos jogos que fazem. Essa conta dividida por 20 determina o valor máximo que podem apostar.

- O valor máximo em jogo nunca deve exceder 5% da conta corrente. Se a conta corrente diminui, deve diminuir proporcionalmente o valor dos jogos em que podem participar... se aumenta há duas hipóteses: subir o valor das aposta que podem levar a jogo (ou “buy-in” de torneios) em que podem participar ou fazer o “cash out” do dinheiro para a vossa conta normal.

- Nunca jogar mais de 5% da conta corrente. Se perderam 5% saiam do site/casino/sala e não voltem a jogar nesse dia. Na minha opinião eu diria que não devem jogar nessa semana. O bom jogo de poker exige auto-confiança face aos riscos, e quem está numa maré de azar dificilmente pode sentir essa confiança, pelo que o ideal é mesmo não jogar durante algum tempo.


Erros comuns:

- Não ter um “bankroll” de todo, ir aumentando apostas (ou valor dos “buy-in” para tentar “repor” perdas)... acaba sempre com o jogador falido e a precisar (sinal de que não devia sequer estar a jogar) de injectar dinheiro (mesmo sempre, as excepções só servem para que o processo se repita, até fatalmente o resultado ser sempre o mesmo).

- Não respeitar os 5% do “bankroll” quando as coisas correm mal, perdendo em horas o que demorou dias/semanas/meses a construir.


Factos:

- 95% dos jogadores que jogam online perdem dinheiro.

- Ter um “bankroll” implica que está determinado o custo máximo de milhentas sessões de poker, e não de 20 (como os 5% sugerem). Se o volume do bankroll diminui, diminui proporcionalmente o valor dos 5% e como tal há mais “20 novos conjuntos mais pequenos” de jogos/dias. Quem respeita um bankroll dificilmente consegue perder dinheiro descontroladamente no poker.



As minhas teorias que levam a que os pontos anteriores sejam cruciais...

- Eu não confio nos sites de poker. Há demasiada margem para trafulhices diversas. Não tomo nenhuma posição “oficial” sobre o assunto mas acho que as pessoas devem ler sobre os sites em que escolherem jogar.

A acusação: Threads sobre batotices no pokerstars...
A defesa: Links para as respostas oficiais

- O meu site de poker preferido é o pokerstars. Já tive bons períodos (em que ganhava 1 em cada 4 torneios, em que ganhar significa “chegar quase sempre aos prémios”) e “lucrativos”... Logo a seguir a retirar “os ganhos excedentes do que considerava um bankroll adequado ao meu hobby” tive as piores mãos de sempre, um azar (aberrações estatísticas) à prova de bala. Coincidência? Talvez seja. O facto é que durou “uma sessão” (um dia), depois acabou a “serie negra”. Mas deixo todas as hipóteses em aberto. Mas o poker tem períodos muito “negros”. Todos os jogadores tendem a associar “a sorte extrema que tiveram” quando ganharam ao seu “talento” e a esquecer essas mãos... mas ficam bastante mais impressionados e ficam mais vincadas nas memórias as mãos que perdem “contra toda a lógica” de um jogo em que a sorte é extremamente importante.

- O “bankroll” serve mesmo para lidar com estas situações, assegurar que esses “períodos negros” afecta a nossa “conta corrente no poker” numa percentagem pequena, durem muito ou pouco tempo. Se consumirem todo o nosso bankroll há duas hipóteses para pessoas com dois dedos de testa: “parar de jogar” ou assumir que o “bankroll ser reposto” (de tempos a tempos) compensa pelo gozo que lhes dá jogar poker online. O “bankroll” está esgotado quando 5% do valor não paga entrada em nenhuma mesa/torneio.

- Se 95% dos jogadores perdem dinheiro... o que vos leva a crer que “estão naturalmente” nos 5% de excepções? Estejam ou não, eu sugiro vivamente que ganhem disciplina se jogarem a dinheiro, e mesmo com “play money” façam um “bankroll” de “dinheiro virtual” (para ganharem a disciplina).

- Perder ao poker e ter uma “maré negra” de “má sorte” (real ou por “trafulhices” do software) faz parte do jogo. Acontece a TODOS os jogadores. Saber dosear as perdas e gerir os ganhos é o que distingue os jogadores inteligentes (com um bankroll) dos jogadores compulsivos (e acreditem que perdem tudo o que tiverem na ilusão de recuperarem o que já perderam).

- Eu recomendo o “pokerstars” da mesma forma que recomendo qualquer “casino”. A maior parte das pessoas vão perder dinheiro. Não joguem mais do que estão dispostos a pagar por uma brincadeira. Eu pessoalmente acho que um bankroll de $10 USD é mais que adequado para o pokerstars (i.e. podem apostas no máximo $0.50 por dia se o mantiverem intacto, mais se o fizerem crescer, menos se o fizerem diminuir). Isso permite por dia fazer dois torneios de hora e meia ($0.25 de buy in) ou 10 torneios de $0.10... mesmo que de 100 em 100 dias gastarem mais $10, digamos que sai mais barato que comprar um jogo de playstation da linha platinium (os mais baratos do mercado) ou em segunda mão. Sai mais barato que comprar jornais diários

- Para os “campeões”, não precisam de gastar mesmo dinheiro nenhum: ganhem o vosso bankroll em torneios “freeroll” (entrada gratuita com prémios em dinheiro real e “buy in” para torneios pagos para os melhores)! Não é fácil, mas é “poker”, é de “borla”, não tem riscos envolvidos, não envolve custos nenhuns!
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Acrescentei o link para a "Wish List" da Amazon.co.uk


O verão está a chegar, vai haver mais tempo livre, pelo que a minha “wish list” cresceu. Regressa o link à minha página pessoal para poderem acompanhar a lista de objectos que eu ando a ponderar adquirir um dia...

A lista é dominada por jogos da wii e Playstation. Há o “Rock band 2” prestes a sair (que é a minha prioridade máxima) e “Guitar hero: greatest hits”, bem como os jogos com suporte ao “Wii motion Plus” em que estou particularmente interessado.

O “Poker” é o “jogo do momento” em que eu gasto mais tempo (acompanhado pelo “pro evolution soccer” na Wii). Para a minha lista foram uns videos sobre o Poker, bem como uma caixa de fichas e um baralhador de cartas, isto porque quero um dia fazer uns jogos com amigos lá em casa (em vez de jogar com eles online no poker stars).



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"The nut": Momentos porreiros...


Saber jogar Poker aumenta as hipóteses de ganhar. Saber jogar Poker significa perceber que probabilidades existem de a nossa mão ser imbatível, quantas “cartas” possíveis a podem complementar e saber gerir as apostas (riscos e ganhos). Gerir os riscos é a parte complicada. Fazer os adversários gerir mal riscos é literalmente uma arte.

Quando se tem uma mão imbatível é ainda necessário ultrapassar uma dificuldade: levar os adversário a apostar o máximo possível! E isso não é tão simples como possa parecer, se tiverem em conta que eles sabem o que podemos ter na mão, e sabem o que está na mão deles..

A imagem que se segue é de um momento de um torneio (de 45 pessoas, em que acabei por ficar em sexto lugar) em que me saiu um poker de “6” (i.e. quatro seis na minha mão), que era uma mão imbatível (i.e. chamada em gíria de poker o “the nut”). Consegui levar dois adversários a acompanhar o meu “all in” final, o que foi um momento “porreiro” do torneio. Na altura passei de “nono do ranking” para “terceiro” numa mão mágica já na mesa final.

poker6overA

Eu perco mais torneios (“sit & go”) do que ganho. Não sou nenhum “Deus” do poker, se for alguma coisa será tipo um “santo daqueles de que ninguém se lembra” que foi beatificado por engano ou troca de identidade. Durante alguns (relativamente curtos) períodos de tempo, quando ganho, claramente consigo “compensar perdas” e “ter lucro”. No geral sou um jogador fraco, perco mais do que ganho, e tenho dificuldade em manter uma conta corrente “alta”. Ganho muito “play money” (cheguei aos 180.000), depois tenho um ciclo “mau” e volto ao nível de torneios anterior (estou a jogar torneios de 2000 outra vez, quando estava nos de 10.000).

O poker é um hobby, uma brincadeira, e recordo que podem jogar com “play money” ilimitado no pokerstars! Jogar a dinheiro é “perder dinheiro” para o comum dos mortais. Podem testar as vossas ilusões, se as tiverem, mas eu arriscaria que esse será invariavelmente o resultado a médio/longo prazo.


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Saber digerir momentos "zen" no poker...

Eu estou “fora de jogo”, tinha decidido sair porque alguém subiu a parada antes do “flop” (primeiras 3 cartas colocadas em cima da mesa), e tive que digerir ver sair o trio no “flop” e a transformação em “poker de oitos” no “turn” (quinta carta colocada na mesa)... A imagem diz tudo:
MissingPokerOf8
Isto é vulgar acontecer. E mais vulgar ainda é ver que “seja o que for que tínhamos na mão” ganharia o que estava em cima da mesa. O maior problema é “digerir” e “gerir” o conceito de que tenho de jogar racionalmente, que um “Ás” acompanhado de uma carta baixa não é uma “mão forte” quando estão nove pessoas na mesa, e eu se não tiver a confirmação de um jogo forte no “flop” vou ter que sair do jogo sem o ver.

Os jogos de “sit & go” em que tenho jogado reforçam a minha estratégia. Tenho chegado aos prémios em mais de metade deles e ganho cerca de 1/5 dos torneios. Esta estratégia implica eu não ficar “afectado” pela sensação “vincada” (mas falsa) de que devia ir “ir mais longe” pagando alguma coisa“ a mais que a aposta mínima” para ver as primeiras três cartas da mesa.

O “poker” tem tudo a ver com “sangue frio” e “disciplina”. É claro que este tipo de “incidentes” criam pressão e emoção, tendem a prejudicar a implementação no terreno (nas jogadas seguintes) de uma forma de jogar mais metódica e disciplinada, e são uma armadilha em que caiem muitos principiantes no jogo.

No inicio dos torneios (i.e. até à final table ou chegar aos lugares premiados) eu “pago mais que as blinds”, se for estritamente necessário, quando tenho jogos realmente fortes (AA, KK, AK, QQ, JJ) para todos os outros é “uma questão de estatística”, prefiro ver mais vezes o “flop” (pagando o equivalente à aposta mínima) e estar mais em jogo. Está totalmente fora de questão alinhar em loucuras antes de ter pelo menos 5 das 7 cartas com que vou “ganhar ou perder” à vista, particularmente se em 90% das mãos isso me custa muito pouco e aumenta tanto potencial de sucesso.

Não há racionalmente nada que justifique o claro “excesso de apostas, em quantidade e volume, feitas antes de haver cartas na mesa” por muitos jogadores ainda longe do “final de jogo” de cada torneio. As pessoas que jogam poker sem uma estratégia dificilmente vão ser bem sucedidas ao longo do tempo. Até lhes pode dar umas alegrias em dias de sorte, mas tenho sérias duvidas que compense ao longo de múltiplos jogos.


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Senhora Sorte, muito gosto em ver vossa excelência...


Já passei dos 100.000 de play money! No “frente a frente” final do torneio tive uma visita da senhora Sorte (é muito bem vinda, volte sempre, esteja à vontade!) no “all in” final do meu adversário.

Ele com a mão que tinha havia 96% de hipóteses de ter a mão mais forte (antes de ver qualquer carta) e eu fiz o “call” com cerca de 90% de hipóteses de ter a mão mais alta...
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Foi “algo assustador” ver as cartas de mão e perceber que ele estava à frente...








Ver sair o “flop” (i.e. primeiras três cartas da mesa) e pensar que “só um milagre” me safa desta... estavam 60% das cartas na mesa, e eu a perder...





Chegou o dito cujo (milagre) no “river” (quarta carta)... Mas o risco ainda é muito grande: uma “carta de paus” ou um “As” e a vantagem regressa para o meu adversário.





O “turn” (quinta carta) felizmente não mudou nada. Ganhei o torneio.









Sabe bem. A dona Sorte tem um papel fundamental no jogo. Claro que muitas vezes a “moça” fica em casa... ó minha senhora saia mais vezes, faz-lhe bem... :-)




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A barreira dos 100.000 e os "All in" disparatados...


NOTA IMPORTANTE: O “pokerstars” permite aos jogadores jogar com “play money” (dinheiro a brincar). É o melhor jogo de poker que conheço, em que se joga contra jogadores reais, e é “de graça”. É “de borla”, logo mais barato que os jogos para “telefones” (o do iPhone é giro) e “consolas” (Wii, Playstation e Xbox). Para quem jogar “sem dinheiro” não há nenhum “depósito” ou despesa! É puxar o jogo, verificar o e-mail, e jogar.

Os mais corajosos (ou incautos) também jogar a dinheiro “a sério”, se quiserem, mas é algo que eu não recomendo a principiantes. Se resolverem jogar com “dinheiro a sério” eu recomendo vivamente cautela, não gastem mais do que gastariam numa ida ao bingo ou a um casino. O depósito “mínimo” para quem for jogar a dinheiro, é de $10 USD, ou seja, uns 8 EURO.

Abarreira

O meu gozo com o pokerstars continua... agora estou quase a ultrapassar a barreira dos 100.000 de “play money” (i.e. dinheiro a brincar). Chegar aqui foi relativamente simples; muitos torneios de 2.000 em que ganhei de forma consistente e alguns de 10.000 em que ganhei esporadicamente. Assim que ultrapassar a barreira dos 100.000 passarei a tentar “ganhar consistentemente” os torneios de 10.000. Os jogos em mesas de 10.000 são excelentes, com muitos bons jogadores, e os “all in” desprovidos de qualquer senso são bastante mais raros.

Há um sério problema com jogadores inexperientes e a análise de risco, que “não fazem” ou fazem “muito mal”, em jogos com “pouco dinheiro” (seja ele “virtual” ou “real”). Arriscam tudo vezes demais, arriscam mal, ficam totalmente dependentes de uma sorte “fora o comum” para sobreviverem nos torneios. Um jogador experiente lida com esta questão percebendo o que tem na mão, o que está na mesa, e quais as probabilidades reais de ter a mão mais forte. Os jogadores mais experientes sabem que “há mais marés que marinheiros”, que os maus jogadores vão arriscar mais vezes, que é uma questão de tempo até estar na nossa mão a combinação mais forte possível (i.e. chamada em gíria de poker o “the nut”).

Raramente vou a um “all in” sem ter o “the nut” (seguramente a melhor mão em jogo), excepto no final do jogo, em que estamos apenas dois/três jogadores a discutir quem fica com a maior fatia dos prémios, porque o fim de jogo obedece a uma lógica estatística alterada por estarem menos cartas em jogo... É uma questão de senso, o primeiro objectivo é a “final table” (os últimos 9 jogadores em jogo), arriscar pouco é a atitude lógica, cobrem-se muitas “blinds” para ver 5 das 7 cartas possíveis... depois na “final table” jogam-se os prémios. O único objectivo até chegar esse momento “final” é estar tão confortável quanto possível em termos de fichas para lidar com as “blinds” (apostas obrigatórias que vão subindo progressivamente durante o torneio). Raramente é preciso arriscar excessivamente... basta ter o “the nut” uma ou duas vezes em dezenas de mãos, e saber fazer render esses momentos cruciais.

Extrair o “máximo possível” de uma “mão imbatível” (i.e. “the nut”) é muito importante no jogo de poker. São momentos raros no torneio, é fundamental que sejam bem aproveitados, e “saber esperar” por eles pacientemente é uma arte que desafia o sangue frio de todos os jogadores. Eles chegam quase sempre. Acho que nunca joguei um torneio em que não tivesse pelo menos duas ou três vezes a mão mais forte possível para as cartas em jogo. Se não chegarem de “todo”, paciência, há que correr riscos sabendo que “perder torneios” é natural, não há jogadores imbatíveis e o que interessa são os resultados ao longo do tempo.

Fazer render as apostas significa que o adversário tem que acreditar que pode ganhar, com jogo ou com um bluff, e é importante que não se assustem os potenciais “financiadores” do nosso prémio “garantido pela melhor mão possível”. É fundamental ter observado os adversários. Ver se são consistentes a subir apostas, (os “bullies” são os meus adversários preferidos, fazendo o favor de irem pressionando os outros a um ritmo que eles aceitam porque estão habituados e sabem que não quer dizer “nada”), se arriscam mais ou menos, etc. É muito importante perceber que quanto mais eles acreditarem que podem ganhar, mais arriscam, melhor toleram a subida das apontas (idealmente até a promovem essa subida entre eles). A promessa de mais uma carta é um factor muito relevante, pelo que guardar as apostas fortes para quando estiverem as sete cartas na mesa é potencialmente mau, é preciso gerir tempos e expectativas.

Alinhar em jogadas demasiado arriscadas (“All in” antes do “flop” por exemplo) é imprudente, mesmo que se aprecie o choque de adrenalina, mesmo que se ganhe muitas vezes, e por muito “compensador que possa parecer” eu acho que é mau poker até aos momentos finais de um torneio. É uma aposta em 2 de sete cartas possíveis! Depois do “flop” a conversa muda de figura, porque já temos 5 das 7 cartas possíveis, já é possível ter o “the nut”, e uma maior percepção das probabilidades já permite ir aos limites. Quando sai o “river” (quarta casa da mesa) eliminam-se muitas vezes as possibilidade de “flush” (cinco cartas do mesmo naipe) e sequências, e é o ponto “rebuçado” para pressionar adversários. O “the turn” (quinta casa da mesa) é potencialmente o ponto em que os adversários realizam que o jogo não é tão forte quanto eles gostariam, não saiu a tal carta e os sonhos da ronda são desfeitos, e a menos que haja um monumental equivoco de expectativas (alguém ficar muito impressionado por um segundo par ou um trio, quando nós temos uma “sequência máxima” ou “cor com um ás nosso de mão”) será demasiado tarde para fazer subir as apostas.

A beleza de jogar poker é precisamente a forma como se percebem os adversários, em poucas jogadas, e se descobre como explorar as suas vulnerabilidades. Eu adoro “bullies”, que fazem do seu jogo tentar “comer as apostas mínimas” e se obrigam a eles próprios a arriscar “demais” para pressionar a mesa e, inevitavelmente, vão perder mais do que ganham... seja ao longo do tempo, quando se chega aos últimos jogadores do torneio, ou mesmo nos vários torneios que jogam. Podem até ganhar ocasionalmente, parecerem muito “impressionantes”, liderar por momentos as mesas... mas isso passa... é esperar pelo “meu” momento e por eles terem uma mão forte que os deixe entusiasmados.

Um bom jogador é “quase invisível”. Não dá nas vistas. É um “predador” à espera do momento certo para atacar, que falha poucas vezes quando “de facto” agir. Está presente, ganha algumas pequenas apostas (ocasionais, porque ninguém as subiu excessivamente, porque tinha o improvável “par maravilha” ou a “carta mais alta”, porque saiu o “segundo par”), até aos momentos “chave” em que tem o “the nut” do seu lado. Até lá, alinha pouco em “disparates” (grandes subidas) e nunca em “tremendos disparates” (subidas radicais).




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Para quem está a espreitar o Poker...


Recebi uns quantos e-mails a perguntar-me sobre se o pokerstars.com era “seguro”, se não se “tinha de pagar” para jogar, se tinha algumas “dicas” para oferecer. É muita coisa para estar sempre a repetir por mail, pelo que aqui vai a versão “tipo FAQ” das respostas.

Quanto a se é “seguro”... é tão “seguro” quanto a ser o site de poker mais credível que conheço e um dos maiores da Internet. O que não será particularmente seguro é “jogar a dinheiro” sem pelo menos testarem as vossas habilidades de forma consistente com “play money” (dinheiro a brincar). O mais provável depois do teste (para a maioria das pessoas) será estarem muito mais preocupadas com a probabilidade de perderem todo o dinheiro que jogarem do que com a segurança do cartão de crédito. Para as raras excepções (parabéns!) eu diria que “sim”, que é “tão seguro” como qualquer restaurante ou loja, para se usar o cartão de crédito no pokerstars...

Quanto a “ter de pagar” para jogar... não, não tem de se pagar nada. Nem devem mesmo. Quando uma pessoa se inscreve no site faz o download do cliente (Windows ou Mac OS X), verifica o e-mail, e a partir daí recebe “1.000” de “play money” na sua conta. Se “falir” pode pedir mais 1.000, até três vezes por hora, as vezes que quiser, durante o resto da vida. Joga, perde, pede mais “1.000”, volta a perder, e essa é a lição a tirar para a esmagadora maioria das pessoas: vão perder todo o dinheiro para jogadores melhores.

Quanto a “dicas” e “sugestões”, tenho algumas:

- Não joguem a dinheiro “a sério” até conseguirem pelo menos “200.000” de “play money”. Isto porque é inicialmente muito fácil ganhar “play money”... há muitos maus jogadores de poker a jogar em torneios e mesas em que a entrada seja “menos de 2.000”, logo é francamente fácil e básico ganhar nessas mesas. Isso não é um indicador que as pessoas estejam “minimamente” preparadas para “jogar a dinheiro”, apenas que conseguem ganhar aos maiores nabos do universo do poker. Já quando estão a jogar em mesas e torneios de “100.000” de “play money” a coisa muda de figura, os jogos são muito mais parecidos com “poker a dinheiro”. Isto porque as pessoas “já querem saber” do “play money” que perdem, e porque demora o seu tempo a ganhar os “100.000” novamente. Quanto maior o “buy-in” de uma mesa de “play money” mais parecido é o jogo com uma mesa “com dinheiro a sério”. Qualquer coisa abaixo dos 2000 de “play money” é o mais simples dos testes (se não ganharem aí não vão ganhar em lado nenhum).

- O Poker é um jogo de sorte. Se tiverem sorte vão ganhar mais mãos, se tiverem pouca sorte vão perder mais mãos. Com muita (!) sorte o maior nabo da mesa pode ganhar mais que o melhor jogador do mundo que tenha muita (!) falta de sorte. É só muito pouco provável que isso aconteça, porque o poker está longe de ser “só” sorte, mas a sorte é determinante em muitos momentos do jogo.

- Há três factores que “atenuam” a influencia da “sorte” na decisão dos jogos: perceber as probabilidades do jogo (i.e. o que tenho na mão, o que está na mesa, o que podem os outros jogadores ter), manter sempre a cabeça fria e saber quando correr riscos (que se não perceberem as probabilidades não vão poder fazer de todo), perceber como jogam os outros jogadores (i.e. se arriscam “mais” ou “menos”, como reagem a vozes de força, como se comportam com mãos fortes).

- Se decidirem jogar a dinheiro... porque são “impulsivos” (logo vão perder graças a essa impulsividade, ver ponto anterior, mesmo que até tenham sorte, é só uma questão de tempo), porque “sem ser a dinheiro o poker não tem piada” (a coisa mais parva que se pode dizer, e “só tem piada para quem ganha”, mas as pessoas reproduzem isto como se fosse verdade), ou por ganância e vontade de fazer dinheiro “rápido” (é altamente provável que façam dinheiro rápido, e demasiado fácil, aos vossos adversários)... eu sugiro que depositem os $10 USD mínimos (a pior solução) ou que ganhem o dinheiro em torneios “oficiais” com prémios em dinheiro e entrada livre ou paga com “play money”. Sugiro que só joguem jogos de $0.20, porque assim vão descobrir mais devagar que perdem ou que conseguem ganhar... quando conseguirem (e se conseguirem) transformar os $10 em $100 passem então para mesas e torneios de $1, e mantenham sempre um ratio de sensivelmente 1/100 entre o vosso saldo de “real money” e o que podem gastar por jogo. A maior parte das pessoas NUNCA vai subir de escalão, e para fazer o teste eu diria que o valor mínimo é “aceitável”. Nunca(!) tentem cobrir prejuízos anteriores escalando o valor dos torneios e mesas... é a receita para perder mais depressa e não para recuperar o que já se perdeu. Se ganhar 1 em cada 10 jogos conseguem manter o nível, se ganharem com uma média superior vão escalar de nível, se forem burros e impulsivos vão gastar dinheiro até realizarem o óbvio (que ganhar dinheiro no poker de forma consistente ao longo de vários jogos não é trivial, pelo contrário é particularmente difícil... já perder é muito fácil e acessível a todos).

Quanto a dicas sobre como jogar... leiam sobre poker. Não tenham pressa para ganhar dinheiro, porque se tiverem vão mesmo é perder dinheiro. Há muitos bons textos na Internet. Eu acho piada a este em particular. O resto é “experiência”, e essa pode ser adquirida “a feijões”...

Ok, malta, se jogarem contra o “plaureano” no “pokerstars.com” sabem que sou eu que estou do outro lado... quase todos os dias, normalmente a jogar “sit & go” ou em mesas de 2.000 a 10.000 de “play money”... de vez em quando entro nos “torneios livres”, e quando ganho dinheiro neles entro depois em “sit & go” pagos...

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Ando completamente viciado no PokerStars.com


Gosto imenso de jogar Poker. Não tem nada a ver com dinheiro, apenas com o prazer de jogar torneios (podem jogar com “play money” no pokerstars.com), de lidar com as probabilidades, sorte, e nuances psicológicas dos jogadores. Eu jogo no pokerstars.com...
pokerstars
O cliente para Mac OS X é excelente... Há torneios para todos os gostos sempre a começar... joguem a feijões ou a dinheiro. Este fim de semana joguei horas a fio... aumentei a minha conta de “play money” 33% (i.e. ganhos) e uma mini-conta de dinheiro real (para torneios de $1 USD com 180 jogadores) 10%.

Também jogo poker na Playstation 3 e no iPhone... mas o “poker stars” é mesmo o meu preferido... se me virem online sou o “plaureano”...




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