A barreira dos 100.000 e os "All in" disparatados...
22/04/2009 14:28 Classificado como: Poker
NOTA IMPORTANTE: O “pokerstars” permite aos jogadores jogar com “play money” (dinheiro a brincar). É o melhor jogo de poker que conheço, em que se joga contra jogadores reais, e é “de graça”. É “de borla”, logo mais barato que os jogos para “telefones” (o do iPhone é giro) e “consolas” (Wii, Playstation e Xbox). Para quem jogar “sem dinheiro” não há nenhum “depósito” ou despesa! É puxar o jogo, verificar o e-mail, e jogar.
Os mais corajosos (ou incautos) também jogar a dinheiro “a sério”, se quiserem, mas é algo que eu não recomendo a principiantes. Se resolverem jogar com “dinheiro a sério” eu recomendo vivamente cautela, não gastem mais do que gastariam numa ida ao bingo ou a um casino. O depósito “mínimo” para quem for jogar a dinheiro, é de $10 USD, ou seja, uns 8 EURO.

O meu gozo com o pokerstars continua... agora estou quase a ultrapassar a barreira dos 100.000 de “play money” (i.e. dinheiro a brincar). Chegar aqui foi relativamente simples; muitos torneios de 2.000 em que ganhei de forma consistente e alguns de 10.000 em que ganhei esporadicamente. Assim que ultrapassar a barreira dos 100.000 passarei a tentar “ganhar consistentemente” os torneios de 10.000. Os jogos em mesas de 10.000 são excelentes, com muitos bons jogadores, e os “all in” desprovidos de qualquer senso são bastante mais raros.
Há um sério problema com jogadores inexperientes e a análise de risco, que “não fazem” ou fazem “muito mal”, em jogos com “pouco dinheiro” (seja ele “virtual” ou “real”). Arriscam tudo vezes demais, arriscam mal, ficam totalmente dependentes de uma sorte “fora o comum” para sobreviverem nos torneios. Um jogador experiente lida com esta questão percebendo o que tem na mão, o que está na mesa, e quais as probabilidades reais de ter a mão mais forte. Os jogadores mais experientes sabem que “há mais marés que marinheiros”, que os maus jogadores vão arriscar mais vezes, que é uma questão de tempo até estar na nossa mão a combinação mais forte possível (i.e. chamada em gíria de poker o “the nut”).
Raramente vou a um “all in” sem ter o “the nut” (seguramente a melhor mão em jogo), excepto no final do jogo, em que estamos apenas dois/três jogadores a discutir quem fica com a maior fatia dos prémios, porque o fim de jogo obedece a uma lógica estatística alterada por estarem menos cartas em jogo... É uma questão de senso, o primeiro objectivo é a “final table” (os últimos 9 jogadores em jogo), arriscar pouco é a atitude lógica, cobrem-se muitas “blinds” para ver 5 das 7 cartas possíveis... depois na “final table” jogam-se os prémios. O único objectivo até chegar esse momento “final” é estar tão confortável quanto possível em termos de fichas para lidar com as “blinds” (apostas obrigatórias que vão subindo progressivamente durante o torneio). Raramente é preciso arriscar excessivamente... basta ter o “the nut” uma ou duas vezes em dezenas de mãos, e saber fazer render esses momentos cruciais.
Extrair o “máximo possível” de uma “mão imbatível” (i.e. “the nut”) é muito importante no jogo de poker. São momentos raros no torneio, é fundamental que sejam bem aproveitados, e “saber esperar” por eles pacientemente é uma arte que desafia o sangue frio de todos os jogadores. Eles chegam quase sempre. Acho que nunca joguei um torneio em que não tivesse pelo menos duas ou três vezes a mão mais forte possível para as cartas em jogo. Se não chegarem de “todo”, paciência, há que correr riscos sabendo que “perder torneios” é natural, não há jogadores imbatíveis e o que interessa são os resultados ao longo do tempo.
Fazer render as apostas significa que o adversário tem que acreditar que pode ganhar, com jogo ou com um bluff, e é importante que não se assustem os potenciais “financiadores” do nosso prémio “garantido pela melhor mão possível”. É fundamental ter observado os adversários. Ver se são consistentes a subir apostas, (os “bullies” são os meus adversários preferidos, fazendo o favor de irem pressionando os outros a um ritmo que eles aceitam porque estão habituados e sabem que não quer dizer “nada”), se arriscam mais ou menos, etc. É muito importante perceber que quanto mais eles acreditarem que podem ganhar, mais arriscam, melhor toleram a subida das apontas (idealmente até a promovem essa subida entre eles). A promessa de mais uma carta é um factor muito relevante, pelo que guardar as apostas fortes para quando estiverem as sete cartas na mesa é potencialmente mau, é preciso gerir tempos e expectativas.
Alinhar em jogadas demasiado arriscadas (“All in” antes do “flop” por exemplo) é imprudente, mesmo que se aprecie o choque de adrenalina, mesmo que se ganhe muitas vezes, e por muito “compensador que possa parecer” eu acho que é mau poker até aos momentos finais de um torneio. É uma aposta em 2 de sete cartas possíveis! Depois do “flop” a conversa muda de figura, porque já temos 5 das 7 cartas possíveis, já é possível ter o “the nut”, e uma maior percepção das probabilidades já permite ir aos limites. Quando sai o “river” (quarta casa da mesa) eliminam-se muitas vezes as possibilidade de “flush” (cinco cartas do mesmo naipe) e sequências, e é o ponto “rebuçado” para pressionar adversários. O “the turn” (quinta casa da mesa) é potencialmente o ponto em que os adversários realizam que o jogo não é tão forte quanto eles gostariam, não saiu a tal carta e os sonhos da ronda são desfeitos, e a menos que haja um monumental equivoco de expectativas (alguém ficar muito impressionado por um segundo par ou um trio, quando nós temos uma “sequência máxima” ou “cor com um ás nosso de mão”) será demasiado tarde para fazer subir as apostas.
A beleza de jogar poker é precisamente a forma como se percebem os adversários, em poucas jogadas, e se descobre como explorar as suas vulnerabilidades. Eu adoro “bullies”, que fazem do seu jogo tentar “comer as apostas mínimas” e se obrigam a eles próprios a arriscar “demais” para pressionar a mesa e, inevitavelmente, vão perder mais do que ganham... seja ao longo do tempo, quando se chega aos últimos jogadores do torneio, ou mesmo nos vários torneios que jogam. Podem até ganhar ocasionalmente, parecerem muito “impressionantes”, liderar por momentos as mesas... mas isso passa... é esperar pelo “meu” momento e por eles terem uma mão forte que os deixe entusiasmados.
Um bom jogador é “quase invisível”. Não dá nas vistas. É um “predador” à espera do momento certo para atacar, que falha poucas vezes quando “de facto” agir. Está presente, ganha algumas pequenas apostas (ocasionais, porque ninguém as subiu excessivamente, porque tinha o improvável “par maravilha” ou a “carta mais alta”, porque saiu o “segundo par”), até aos momentos “chave” em que tem o “the nut” do seu lado. Até lá, alinha pouco em “disparates” (grandes subidas) e nunca em “tremendos disparates” (subidas radicais).